sábado, 30 de julho de 2011

Odeio dois beijinhos, aperto de mão, tumulto, calor, gente burra e quem não sabe mentir direito. Não puxo saco de ninguém, detesto que puxem meu saco também. Não faço amizades por conveniência, não sei rir se não estou achando graça, não atendo o telefone se não estou com vontade de conversar.
Caio Fernando Abreu




quinta-feira, 28 de julho de 2011

Ele pode estar olhando tuas fotos nesse exato momento. Por que não? Passou-se muito tempo, detalhes se perderam. E daí? Pode ser que ele faça as mesmas coisas que você faz escondida, sem deixar rastros, nem pistas. Talvez ele passe a mão na barba mal feita e sinta saudade do quanto você gostava disso. Ou percorra trajetos que eram teus, na tentativa de não deixar que você se disperce das lembranças. As boas. Por escolha ou fatalidade, pouco importa, ele pode pensar em você. Todos os dias. E, ainda assim, preferir o silêncio. Ele pode reler teus bilhetes, procurar o teu cheiro em outros cheiros. Ele pode ouvir as tuas músicas, procurar a tua voz em outras vozes. Quem nos faz falta, acerta o coração como um vento súbito que entra pela janela aberta. Não há escape. Talvez, ele perceba que você faz falta e diferença, de alguma forma, numa noite fria. Você não sabe. Ele pode ser o cara com quem passará aquele tão sonhado verão em Paris. Talvez, ele volte. Ou não.


(Caio Fernando Abreu)



Não importa o quanto você seja forte, sempre terá alguém pra dizer que você não é o suficiente. Não importa o quanto você diga, sempre faltará palavras. Não importa o quanto você seja alguém, você sempre será invisível para quem realmente queria chamar atenção. Não importa o quanto seu coração seja "frio e insensível", você sempre irá se machucar com uma palavra dita ou com uma ida. Não importa o quanto você tente mostrar que não liga, você sempre vai sentir, você sempre vai engolir as dores e sempre vai ser um pouco do que você não quer ser. Não importa o quanto você tente não chorar, o coração não vai deixar de doer pelas lágrimas que você não deixa cair.

Hey garota, você já se elogiou hoje? Você já admirou seu próprio sorriso ou já brincou com seu próprio cabelo? Você já se sentiu a melhor garota do mundo pelos menos por um segundo hoje? Você já olhou pela janela, só para se sentir observada? Você foi amada, garota? Você quis estar com alguém mesmo que não pudesse? Você já cantou hoje? Já se declarou pra si mesma? Passou batom, gloss ou blush, só pra se sentir melhor com você? Você já quis estar em vários lugares ao mesmo tempo? Hey, garota, você já pensou que desistir é o maior dos obstáculos? Já sonhou? Então, garota. Deveria começar.

Preciso desabafar que... É estranho ver todos perguntando se eu estou bem. É estranho ver como eles me olham, com aqueles olhares acusatórios como se soubessem de tudo o que se passa aqui dentro de mim. Arriscam dizer que meu mal é mal de amor. Dizem que estou fazendo tempestade em copo d'água. Alguns, sábios, dizem que vai passar logo, gosto deles. Mas não é mal de amor, é mal de vida e de não saber o que fazer com ela, alguém agora entende? Eu estou desesperada, sem saber por onde começar, pra onde fugir. Eu quero apoio, talvez a falta dele também esteja me fazendo mal, mas não é amor que vem tirando meu sono, nem sempre é o amor que causa isso na gente. No começo, confesso, me entreguei e me machuquei, mas já passou. Meu mal é estar só. É não ter ninguém ali, me ligando, pedindo pra eu seguir em frente. Meu mal é ver as pessoas desistirem fácil de mim. Meu mal é não saber resolver certos problemas na minha família. Meu mal é não saber o que responder ao certo quando me perguntam o que eu vou fazer da vida. Meu mal é ter ficado mal a algumas semanas atrás, ter me chateado antes de ontem com algumas outras coisas e agora ter mais outros problemas gritando na minha cabeça. Nossa, tudo isso dói. Não sou de ferro e está doendo.




"As vezes olhavam-se. E sempre sorriam".
(Caio Fernando Abreu)

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ele não sabe nada sobre mim. Não sabe que o aperto no peito diminuiu, que meu cabelo cresceu, que meus olhos estão menos melancólicos. Ele não sabe quantos livros pude ler em algumas semanas. Não sabe quais são os meus novos assuntos, nem os filmes favoritos. Ele não sabe quantos amigos desapareceram desde de que me desvencilhei da minha vida social intensa. Ele não sabe que eu nunca mais me atentei a saudade. Que simplesmente deixei de pensar em tudo que me parecia instável. Que aprendi a não sobrecarregar meu coração, este órgão tão nobre. Ele não sabe que eu tenho estado tão só sem a devastadora de me sentir sozinha. Ele não sabe que desde que não compartilhamos mais nada sobre nós, eu tive que me tornar minha melhor companhia: ele nem imagina que foi ele que me ensinou esta alegria.



Eu tenho feito de conta que você não me interessa muito, mas não é verdade. Não acredite.

Tem coisa que eu deixo passar. Não vale a pena. Tem gente que não vale a dor de cabeça. Tem coisa que não vale uma gastrite nervosa. Entede isso? Não vale. Não vale dor alguma, sacrifício algum.

Chega de ligações, preocupações, sentimentos demonstrados ao extremo. Vou ficar mais relax mesmo, não quer me ligar, não liga, mas também não ligarei. Não quer me ver, não veja, mas também não sairei que nem doida atrás de você pra saber se a gente vai se ver, que horas é o nosso encontro, não mais. É apenas um aviso que eu deixo bem simples: se quiser, me procure você!

(Caio Fernando Abreu)
Não quero teus dias corridos, teu tempo contado. Quero todo tempo do mundo. Guarda o teu dinheiro. Não quero coisas caras, prefiro as raras. Quero piquenique no parque. Quero balançar no balanço. Andar de mãos dadas. Pés descalços na areia. Quero que não me poupe palavras, elas são essenciais. Quero que me escreva bilhetinhos. Que não ria porque eu tenho medo do escuro. Que não me deixe na mão, mesmo quando eu digo que consigo sozinha. Alguém que entenda meus surtos. E que enxergue que meus olhos são castanhos e não pretos. E que me veja, me perceba, me sinta e note que meu jeito auto suficiente é o medo de depender das pessoas. É a forma que eu encontro pra disfarçar minhas fraquezas. Alguém que entenda meus choros, não só os que saem, aqueles que ficam escondidinhos e ninguém vê. E que não me ache boba por chorar vendo filmes. Não precisa me entender sempre, só me escutar. Não precisa concordar, só me dar carinho. Por favor, goste de mim com tudo o que você tem. Goste-me com meu cabelo despenteado, com as olheiras, com minha compulsão por coca-cola. Goste-me com meu medo de dormir com os pés destampados. Goste-me com tudo o que eu tenho.
Onde, afinal, é o melhor lugar do mundo? Meu palpite: Dentro de um abraço.

domingo, 24 de julho de 2011



Você me abraça não querendo me abraçar, você me deixa ir sem querer que eu realmente vá. Você olha nos meus olhos não querendo saber o que se passa, mas quando a noite cai tenho certeza que lembra de mim. Você toca no meu nome e logo depois muda de assunto. Só te digo uma coisa, quando as porta se fecharem, não serei eu que irei abri-las para ti.

segunda-feira, 11 de julho de 2011

"Depois de um tempo, você ainda vai lembrar dessa ferida que rasgou fundo teu peito. Mas vai saber também, que foi apenas uma página do capítulo passado. E que o capítulo que você está agora. Ah, esse sim é o mais interessante".

Caio Fernando Abreu
Certo dia me perguntaram: "Por que voce se apaixonou?"

Eu respondi: "Não sei... Talvez continue não sabendo. Eu simplesmente amo, acordar e dormir com ele nos meus pensamentos."

sábado, 2 de julho de 2011



"(...) Eu nunca vou entender porque a gente continua voltando pra casa querendo ser de alguém, ainda que a gente esteja um do lado do outro. Eu nunca vou entender porque você é exatamente o que eu quero, eu sou exatamente o que você quer, mas as nossas exatidões não funcionam numa conta de mais..."


Tati Bernardi